domingo, 8 de maio de 2011

Deus é coisa da sua cabeça

 

Refletindo o tema…

Que maravilhoso ver a ciência comprovando a espiritualidade humana sem a necessidade de provar ou não a existência de Deus! As funções humanas de auto-preservação e auto transcendência  nos revelam espirituais. O filosofo contemporâneo Andre Comte-sponville de forma magistral discorre sobre o tema em seu livro O espírito do ateísmo.

Não importa qual religião simpatizamos, e não é correto entender um ateu sem espiritualidade. Conheço ateus mais espiritualizados do que alguns crentes, dramatizado muito bem no filme “Deus é brasileiro”. Importante é entender a auto-preservação e auto-transcendência, ideia que espiritualiza todos os seres humanos e de quebra poderia acabar com as guerras santas…

Acreditar ou não na existência de um Deus é apenas um detalhe  face ao reconhecimento da espiritualidade.  A palavra religião tem origem no latim e seu significado é religar-se – ligar em si.  Redimir-se, palavra que os religiosos usam costumeiramente, também com origem no latim significa metanóia – mudar de ideia. Ambas levam à introspecção assim como a oração ou meditação (transe). Estas práticas promovem mudanças em nossas químicas cerebrais e corporais, levando à cura ou à doenças. Se mudamos o que pensamos e sentimos, alteramos nossas redes neurais e em consequência liberamos químicos diferentes. Nesse aspecto a dualidade corpo e mente não existe. Simples assim!

Então, vivemos aprendendo e até o “final”, caminhando entre os polo de nossos pensamentos e emoções, ora duvidando ora com fé, ora seguros  ora inseguros, preservando e transcendendo e sempre buscando o equilíbrio tão necessário ao bem viver!

Paradoxal assim, e sempre humano!!!

por Marly Molina

 

Leia o texto na íntegra…

Com a ajuda de tomografias computadorizadas,o médico Andrew Newberg pesquisa os mistérios da manifestação religiosa no cérebro.

por Mauro Tracco

A ciência não conseguiu comprovar a existência ou inexistência de Deus. Mas uma coisa o conhecimento racional deixa cada dia mais clara: religião faz bem para a saúde. O motivo? Para o médico americano Andrew Newberg, autor do livro Why God Won’t Go Away (“Por que Deus não vai embora”, sem tradução em português), a resposta está na arquitetura neurológica do nosso cérebro. Para ele, o mais desenvolvido órgão humano é especialmente calibrado para a experiência espiritual.

Analisando imagens captadas por tomógrafos, Newberg pesquisa como a oração e a meditação se manifestam no cérebro. Ele diz que a neurociência pode elucidar experiências místicas e acredita que o conceito de Deus é fundamental para a sobrevivência da espécie humana.

Além de se especializar na neurofisiologia da experiência religiosa, Andrew defende que cursos de teologia e de princípios das religiões sejam obrigatórios para os profissionais da área de saúde. Segundo ele, um médico terá mais chances de conquistar a confiança de um paciente, e consequentemente ser bem-sucedido no tratamento, se estiver familiarizado com sua crença.

Existe alguma parte específica do cérebro que seja responsável pela experiência religiosa?

Não exatamente. Nossa pesquisa sugere que experiências religiosas são complexas. Envolvem emoção e cognição e se distribuem por várias estruturas. Estão ligadas ao lobo frontal, a parte do cérebro que determina nossas vontades; à região do lobo parietal, que controla nosso senso próprio; ao sistema límbico, que desempenha papel fundamental nas emoções; e, finalmente, ao hipotálamo, que também é responsável pelas reações emotivas.

E como o corpo sente os efeitos dessa experiência?

Os resultados sugerem mudanças hormonais e nos sistemas imunológico e nervoso autônomo, diminuindo batimentos cardíacos, pressão sanguínea e estresse. Um grande número de estudos aponta que a religiosidade resulta em benefícios para a saúde.

Alguma religião ou prática espiritual se destaca pelos benefícios à saúde mental e corporal?

Não existe uma que se destaque em relação a outras. Há evidências de que pessoas que rezam estão associadas a quadros de redução da tensão muscular e de menor incidência de doenças coronarianas. Indivíduos que meditam apresentam redução da ansiedade, da depressão e da irritabilidade, e aprimoramento da capacidade de aprendizagem, da memória e da estabilidade emocional. Também existem evidências de que a meditação pode aliviar dores crônicas. Em um estudo, 77 pessoas que sofriam de fibromialgia passaram por um programa antiestresse de 10 semanas que usava técnicas de meditação. Todos apresentaram melhoras nos sintomas.

Pessoas doentes com forte fé religiosa têm mais chances de ser curadas?

A única coisa que podemos afirmar a partir dos estudos é que existe relação entre religiosidade e boa saúde. Mas são poucas as evidências de curas específicas associadas a crenças religiosas. O que muitos estudos mostram é a religião como forte aliada na recuperação de cirurgias. Uma pesquisa com um grupo de pacientes operados do coração mostrou que a incidência de mortes durante o período de recuperação era maior entre os que não praticavam nenhuma fé. Outro estudo, feito com mulheres negras com câncer de mama, mostrou que as que não pertenciam a nenhuma religião tinham tendência a viver menos.

A comprovação de que as experiências religiosas são resultado de atividades cerebrais pode sugerir que Deus existe apenas na nossa cabeça?

A ciência enfrentará muita dificuldade em demonstrar definitivamente a existência ou inexistência de Deus. Se eu escanear o cérebro de alguém que olha para um cachorro, a imagem irá mostrar o que acontece quando se vê um cão, mas não prova a existência do animal. Da mesma forma, se uma freira passa pela experiência de estar na presença de Deus, a tomografia não irá mostrar se Deus está com a freira, mas apenas o que acontece no cérebro dela.

Como saber, então, se foi Deus quem criou o cérebro ou se é o nosso cérebro que cria Deus?

Não há uma maneira clara de determinarmos isso. Pode-se dizer que o cérebro humano tem duas funções básicas a serem consideradas sob as perspectivas biológica e evolucionária: auto-preservação e autotranscendência. O cérebro desempenha essas funções ao longo de nossa vida. Acontece que a religião também desempenha essas mesmas funções. Ou seja, a fé é uma excelente ferramenta que ajuda o cérebro a praticar suas funções primárias.

Isso quer dizer que a experiência com Deus nos ajudou ao longo do processo evolutivo?

A função de autopreservação é a da sobrevivência do indivíduo e, consequentemente, da espécie. Para nos manter vivos, o cérebro nos afasta dos perigos, nos aproxima dos alimentos e indica a necessidade de acasalamento. A religião também tem funções importantes nesse sentido: promove comportamentos de vida sustentáveis e ajuda a desenvolver e manter sociedades e famílias voltadas para nossa proteção. Autotranscendência é nossa necessidade inerente de passar de um estágio para outro. Fazemos isso o tempo todo. A cada momento nos tornamos pessoas um pouco diferentes do que costumávamos ser. E a religião é a expressão máxima de auto-transcendência. Algumas admitem que o façamos ainda em vida, outras requerem a morte. Seja como for, a religião nos ajuda a transcender rumo ao encontro derradeiro com Deus ou qualquer outra realidade suprema.

Você defende que profissionais da área de saúde estudem também teologia e religiões. Levamos séculos para separar medicina da religião. Voltar a integrar as duas áreas não seria um retrocesso?

Acho que a religião nunca se separou completamente da medicina. E, recentemente, houve um crescimento na conscientização de que o lado espiritual do indivíduo tem um impacto importante na abordagem médica. A saúde e o bem-estar de um paciente dependem bastante da capacidade do médico de lidar com sua fé e religiosidade, e não apenas com seu quadro clínico. Os dois aspectos estão interligados.

Andrew Newberg

• É fã de livros sobre ciência e filosofia – com predileção pela obra de Descartes.

• Torce para o Philadelphia Flyers, equipe americana de hóquei no gelo, seu esporte favorito.

• Pinta quadros nas horas vagas.

• Considera Guerra nas Estrelas o melhor filme já feito.

• Beatles é sua banda favorita.

• É fanático por pizza e chocolate.

• Diz que estuda todas as religiões, mas não pratica, ou praticou, nenhuma delas. 

Fonte: Deus é coisa da sua cabeça - Superinteressante

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cientistas descobrem área do cérebro relacionada com o constrangimento

Minhas reflexões…

Descobertas são muito interessantes, principalmente porque “tiram a coberta” de algo existente a priori. Dai podemos tratar doenças degenerativas e ajudar a sociedade encontrar o equilíbrio entre os extremos, no caso em questão, entre a inibição paralisadora e a desinibição exacerbada.

Respeito e responsabilidade por ações deveriam ser ensinados - mas não são... Refletir, criticar e modificar pensamentos, sentimentos e comportamentos que impedem o bem viver e que nos tornam livres, deveriam ser ensinados - mas também não são… Isto não acontece! Já parou para pensar por quê?!! Não interessa ensinar estas virtudes pois teríamos uma população pensante e não manipulável!

Erroneamente o “BEM VIVER” resumiu-se em “pense e faça tudo o que te dá prazer sem nunca considerar teu semelhante”.  As autoridades e os responsáveis por ensinar, aqueles que deveriam dar o exemplo, também se rebelaram contra as questões morais e éticas, aproveitando o movimento “libertador”, para encherem seus cofres de mais e mais dinheiro às custas da ignorância de uma sociedade mau educada.

Mudar a constituição sem antes dar educação é um erro crasso.

Álcool, drogas e liberdade sem responsabilidade induzem à desinibição artificial e não-consciente. Jovens e adultos desorientados, deseducados  e por consequência, manipuláveis, creem que estão modificando seu status e suas relações, quando em verdade estão apenas enriquecendo alguns e o pior de tudo, desorganizando um cérebro finito e comportando-se, em alguns casos de forma em que os danos são irreparáveis.

Paradoxalmente nossa sociedade é induzida ao erro. Pensar e refletir torna-se privilégio de filósofos, cientistas, políticos, autoridades e manipuladores.

Toda ciência humana, biológica ou exata, governo e filosofias teístas e ateísta, existem para servir à sociedade e não para servirem-se dos beneficio da manipulação egoísta e hedonista.

Liberdade não é sinônimo de libertinagem, nem de irresponsabilidade consigo mesmo ou com outros. A auto-consciência produz raciocínios e sentimentos equilibrados e claro também ajuda a desinibir o que em tempos passados inibia. Isto é maturidade!

Por tanto, vergonha é o resultado da consciência em ter realizado um ato impróprio a si ou ao outro, um ato contrário aos princípios morais que por escolha livre estabeleceu seguir. Aprender a errar sem medo da crítica externa também é amadurecer, e assim corrigir o que considera um erro. Os auto-conscientes, apresentam em maior volume a área relacionada à vergonha e à recompensa. Sabem pensar, sentir, refletir, criticar e comportar-se. São amadurecidos e livres. O córtex pré-frontal mantem-se alerta sobre valores escolhidos! Valores que alguns não aprenderam, outros não se dispõe a usar (os sem vergonha!) e as pessoas com demência que perderam a consciência disto…

Em qual situação você se percebe? Consegue pensar e sentir sobre isto?!

por Marly Molina

Segue parte do texto sobre a descoberta:

“Segundo um novo estudo, o sentimento de vergonha, que vem com experiências como assistir um vídeo antigo que lhe mostra cantando, é isolado em um tecido no fundo de seu cérebro.

…é focado em uma área chamada córtex cingulado anterior pregenual; este tecido reside profundamente dentro do cérebro, acima e à direita.

A região é fundamental na regulação de muitas funções automáticas do corpo, como batimentos cardíacos, sudorese e respiração. Também participa de várias funções relacionadas com o pensamento, incluindo emoções, comportamentos de busca da recompensa (como os envolvidos no tratamento de dependências) e tomada de decisão. Tem um duplo papel em ambas as reações motoras e viscerais.

Quando você perde a área, perde a resposta ao sentimento de vergonha.

O tamanho e a forma das regiões do cérebro têm sido associados com diferenças de personalidade. Os cientistas acreditam que quanto maior for uma região particular do cérebro, mais poderosa são as funções associadas a ela.

…Por exemplo, os extrovertidos têm grandes centros de processamento de recompensas, enquanto as pessoas ansiosas e auto-conscientes têm grandes centros de detecção de erro. Muitas pessoas altruístas têm áreas maiores associadas com a compreensão de outras crenças.

…Quando os pesquisadores escanearam seus cérebros, notaram que quanto menos auto-consciente e envergonhado os participantes eram, menor era a região em seu córtex cingulado.

Mudanças comportamentais e sociais tendem a acontecer antes de outros sintomas que se manifestam mais claramente. Segundo os cientistas, uma melhor compreensão das alterações emocionais que ocorrem nestas doenças poderia ser útil para detectá-la quando o diagnóstico ainda não é tão óbvio.

Fontes: LiveScience; Hypescience